
A utilização de agentes de inteligência artificial no acompanhamento de gestantes está permitindo automatizar atividades administrativas e direcionar profissionais de enfermagem para tarefas que exigem maior atenção humana. A Seguros Unimed adotou a ANA, assistente desenvolvida pela startup brasileira StaryaAI, para apoiar a inscrição de beneficiárias no programa Nascer Seguro. Segundo dados apresentados durante o Oracle AI World 2026, em Las Vegas, a solução reduziu em 81% o tempo operacional e já se conectou com mais de 2.500 gestantes, elevando para 28% a taxa de conversão das campanhas ativas.
Os resultados foram apresentados por Vinícius Reis, CTO e fundador da StaryaAI, durante uma sessão dedicada a aplicações de inteligência artificial desenvolvidas por empresas latino-americanas. Em entrevista ao Saúde Digital News, o executivo explicou que a proposta da startup não é simplesmente substituir profissionais por sistemas automatizados, mas eliminar atividades repetitivas que consomem tempo das equipes assistenciais. No caso da Seguros Unimed, o processo de inclusão de uma gestante no programa envolvia verificações de elegibilidade, situação contratual e outras informações administrativas antes do início do acompanhamento.
Com a implementação da ANA, essas etapas passaram a ser conduzidas pelo agente de IA, que também reúne dúvidas, queixas e informações relevantes das beneficiárias antes de encaminhá-las aos profissionais responsáveis. Durante a apresentação, Reis afirmou que aproximadamente 97% das interações no programa são realizadas pela inteligência artificial, enquanto situações mais complexas são direcionadas ao atendimento humano. A startup informou ainda que cerca de 3.500 gestantes já ingressaram no programa, número que representa uma etapa diferente das mais de 2.500 conexões destacadas no material apresentado pela Oracle.
A experiência da StaryaAI com saúde também inclui o Hospital e Maternidade Santa Joana, onde a empresa desenvolveu um agente para acompanhar gestantes e responder dúvidas ao longo da gravidez. Segundo Reis, o projeto exigiu aproximadamente três meses de preparação, envolvendo áreas jurídicas e administrativas, além da análise de materiais institucionais e conteúdos técnicos. O objetivo foi estabelecer limites para as respostas, adequar a linguagem utilizada em situações sensíveis e evitar orientações incompatíveis com as políticas da instituição. Na apresentação, o executivo mencionou uma operação que envolve aproximadamente 25 mil gestantes.
A atuação da startup se estende ao dr.consulta, onde um projeto inicialmente voltado à inclusão de pacientes em linhas de cuidado evoluiu para o agendamento de consultas e exames. Segundo Reis, a automação permitiu reduzir em cerca de 80% o tempo dedicado à atividade inicial e ampliar a produtividade. Com o uso contínuo, a empresa identificou demandas adicionais dos pacientes, como marcação de exames e resolução de dificuldades no atendimento. O executivo relatou que a operação passou a gerar aproximadamente R$ 1,5 milhão em receita convertida para o cliente, embora não tenha detalhado o período de apuração desse resultado.
A expansão desses agentes, entretanto, exige cuidados específicos com segurança e confiabilidade. Reis destacou que sistemas de IA podem produzir respostas incorretas, inclusive quando treinados com grandes volumes de documentos. Por isso, defende mecanismos de rastreabilidade, controles de acesso, monitoramento de erros e encaminhamento de situações sensíveis para profissionais. Para o executivo, a qualidade da resposta deve ter prioridade sobre a velocidade, especialmente quando uma informação equivocada pode comprometer o atendimento de um paciente.
A proteção de dados também foi apontada como um dos principais desafios. Reis alertou para os riscos de profissionais inserirem informações de pacientes em ferramentas públicas de IA sem controles adequados e para a possibilidade de agentes acessarem dados além das permissões previstas. Na avaliação do executivo, as organizações precisam tratar separadamente os riscos do uso interno da tecnologia e aqueles associados aos agentes que interagem diretamente com pacientes, considerando tanto a privacidade quanto o impacto reputacional de eventuais falhas.
A StaryaAI utiliza a infraestrutura de nuvem da Oracle em sua estratégia de expansão e integra o ecossistema comercial da companhia. Segundo Reis, a participação no Oracle Marketplace contribuiu para reduzir o ciclo de vendas da startup de aproximadamente nove meses para 40 dias. Para o setor de saúde, a experiência apresentada indica que o potencial dos agentes de IA não se limita à redução de custos: envolve também ampliar o acesso aos serviços, organizar informações antes do atendimento e preservar o tempo das equipes para atividades de cuidado.