
A Operação Pix Seguro, que bloqueou mais de R$ 103 milhões ligados a golpes eletrônicos realizados por meio de SMS falso, reacendeu o debate sobre o avanço das fraudes digitais no Brasil e os impactos desse cenário para o mercado de seguros. Para a Brick, empresa especializada em inteligência antifraude e análise de riscos, o crescimento desse tipo de crime reforça a necessidade de seguradoras ampliarem investimentos em tecnologia, monitoramento e ferramentas preditivas.
Segundo Vinicius Schroeder, CEO e Co-Founder da companhia, o aumento da sofisticação dos crimes digitais exige uma evolução proporcional dos mecanismos de proteção das companhias. Ele destaca, porém, que a atuação da Brick está voltada principalmente à prevenção de fraudes contra seguradoras, especialmente em processos de subscrição e regulação de sinistros.
“O avanço do crime organizado e das fraudes digitais impacta diretamente as seguradoras, que precisam se adaptar com ferramentas e inteligência para detectar e mitigar essas ameaças em tempo de sinistro. Na medida em que surgem novos modus operandi a cada dia e os fraudadores têm acesso às tecnologias mais avançadas, as seguradoras precisam evoluir seus mecanismos de defesa na mesma proporção”, afirma.
Segundo o executivo, a própria tecnologia também passou a ser uma aliada importante no combate às fraudes. O uso de inteligência artificial, análise de dados e automação permite identificar comportamentos suspeitos, inconsistências documentais e padrões difíceis de serem percebidos manualmente.
“Felizmente, a tecnologia também facilita a prevenção e o combate à fraude. As aplicações de IA são as mais diversas: detecção de anomalias em documentos, verificação e cruzamento de quantidades massivas de dados, identificação de padrões invisíveis a olho nu e validação semântica de informações”, explica.
De acordo com Schroeder, um dos principais desafios atuais está no volume e na velocidade com que as fraudes evoluem. Para ele, o problema não está na capacidade dos analistas, mas na escala das operações criminosas e na complexidade dos dados envolvidos.
“O volume e a velocidade com que as fraudes evoluem colocam os times de análise em uma posição cada vez mais desafiadora. Não se trata de uma limitação dos profissionais, mas de um problema de escala”, pontua.
Ele explica que os fraudadores vêm desenvolvendo golpes cada vez mais sofisticados, com documentos aparentemente legítimos e comportamentos desenhados para parecerem normais. “Os fraudadores exploram exatamente essa janela, construindo golpes projetados para parecer normais à primeira vista, com documentos coerentes e comportamentos plausíveis”, acrescenta.
Nesse contexto, o uso de ferramentas preditivas e sistemas automatizados ganha espaço dentro das seguradoras, tanto na subscrição quanto na análise de sinistros.
“A análise de dados e a automação permitem atuar em duas frentes críticas. Na subscrição, abordagens preditivas avaliam o risco ainda na entrada, identificando perfis suspeitos antes mesmo de qualquer apólice ser emitida. Na regulação de sinistros, sistemas automatizados cruzam dados em tempo real, sinalizando alertas com velocidade e escala impossíveis para uma equipe humana”, afirma.
Para o executivo, o movimento mostra que o combate às fraudes digitais deixou de ser apenas uma preocupação operacional e passou a ocupar posição estratégica dentro das seguradoras. Em um cenário de golpes cada vez mais sofisticados, tecnologia, inteligência e capacidade analítica tendem a se tornar peças centrais para preservar resultados, reduzir perdas e fortalecer a segurança das operações.