Alta do barril amplia pressão sobre inflação, reduz ritmo de queda dos juros e pode afetar consumo, venda de veículos e emissão de apólices no Brasil

A disparada do preço do petróleo no mercado internacional passou a ampliar preocupações sobre inflação, juros e desaceleração econômica no Brasil. Com o barril sendo negociado na faixa dos US$ 90, valor quase 50% superior ao registrado no ano passado, os reflexos já começam a atingir projeções econômicas e também acendem um alerta para o setor de seguros.
O cenário internacional, influenciado pelas tensões envolvendo o Irã e pela instabilidade geopolítica no mercado global de energia, elevou o custo dos combustíveis e pressionou diretamente a inflação brasileira. Segundo o consultor de seguros e mestre em Economia, Francisco Galiza, esse movimento aumentou em cerca de um ponto percentual as projeções inflacionárias no país, criando um efeito em cadeia sobre juros, consumo e atividade econômica.
Apesar de os impactos ainda não terem sido sentidos de forma mais intensa na economia real, principalmente por conta do ambiente político e eleitoral, a tendência é de desaceleração gradual nos próximos meses. A inflação mais elevada fez o mercado rever as expectativas para a taxa Selic, cuja previsão de fechamento caiu em ritmo menor do que o esperado inicialmente, passando de 12% para 13,25%.
Na prática, a manutenção dos juros em patamares mais elevados reduz o consumo de bens financiados, dificulta o crédito e afeta diretamente setores dependentes de aquisição de patrimônio, como veículos e imóveis. Para o setor de seguros, isso pode representar uma desaceleração na emissão de novas apólices, especialmente em segmentos ligados ao consumo.
Francisco Galiza avalia que esse efeito não costuma ocorrer de forma imediata, mas aparece com certa defasagem ao longo do tempo. Segundo ele, o aumento da inflação leva à manutenção de juros mais altos, reduzindo o consumo e impactando gradualmente o crescimento econômico e o desempenho do setor de seguros.
Entre os ramos mais sensíveis a esse cenário está o seguro auto. Com financiamentos mais caros e redução no ritmo de compra de veículos, a tendência é de diminuição direta na contratação de novas apólices. O movimento também pode atingir outros segmentos ligados ao crédito e à expansão patrimonial.
Ao mesmo tempo, o cenário de juros elevados produz um efeito positivo parcial para as seguradoras ao ampliar a rentabilidade financeira das reservas técnicas. Ainda assim, a desaceleração econômica tende a pressionar o crescimento operacional das companhias nos próximos meses.
O avanço do petróleo no mercado internacional reforça, assim, um ambiente de maior cautela para a economia brasileira. Para o setor de seguros, o momento exige atenção aos impactos da inflação, ao comportamento do consumo e às mudanças no ritmo de crescimento do mercado.