Arquitetos e desenvolvedores do setor financeiro: vocês ainda tratam o SAP BTP como apenas mais uma cloud dentro do ecossistema SAP?

Em muitas conversas com bancos e seguradoras percebo o mesmo padrão. O SAP Business Technology Platform ainda é visto como uma camada de infraestrutura. Na prática, ele vem se consolidando como algo diferente: uma plataforma para compor novas capacidades digitais sem precisar alterar o core dos sistemas existentes.
Para organizações que já possuem SAP como base, isso muda bastante o jogo.
Um dos pontos mais relevantes está na integração. O setor financeiro depende cada vez mais de conexões entre sistemas legados, plataformas digitais, parceiros e ambientes regulatórios. O SAP Integration Suite permite expor e orquestrar APIs entre esses mundos, reduzindo a necessidade de reescrever aplicações críticas que existem há décadas.
Outro ponto importante é a extensibilidade. Customizações diretas no core sempre trouxeram riscos para upgrades e manutenção. Com o BTP, extensões podem ser construídas de forma side-by-side utilizando tecnologias como SAP Build e o Cloud Application Programming Model. Isso permite evoluir funcionalidades sem comprometer o standard do S/4HANA ou de outros sistemas SAP.
Há também uma camada cada vez mais estratégica de dados. Com SAP Datasphere e HANA Cloud, torna-se possível consolidar dados operacionais, analíticos e externos em uma arquitetura unificada. Isso abre espaço para aplicações como detecção de fraude, modelos de risco mais sofisticados e análises quase em tempo real.
Algumas instituições já exploram esse caminho. Uma grande seguradora global utilizou o BTP para consolidar dados de diversas operações internacionais em uma plataforma analítica comum. Outra seguradora multinacional vem utilizando serviços de processamento inteligente de documentos para automatizar a leitura de apólices e processos de sinistros. No Brasil, grandes bancos já utilizam o Integration Suite para orquestrar APIs em iniciativas relacionadas a Open Banking e integração com parceiros digitais.
Do ponto de vista técnico, algumas peças aparecem com frequência nessa arquitetura: Integration Suite, CAP para desenvolvimento de aplicações, AI Core para modelos de machine learning, Kyma runtime para workloads containerizados e Datasphere para gestão e governança de dados.
Claro que não existe solução perfeita. O BTP tem curva de aprendizado relevante para equipes fora do universo SAP e exige governança para evitar crescimento descontrolado de consumo de serviços. Em muitos cenários também será necessário conviver com ABAP e componentes tradicionais da arquitetura SAP.
Ainda assim, para organizações SAP-centric no setor financeiro que precisam inovar sem abandonar investimentos históricos em ERP, o BTP tem se mostrado uma abordagem bastante pragmática.
Para quem já está trabalhando com SAP BTP em produção, fica a curiosidade: qual serviço da plataforma trouxe mais valor real na sua implementação?
Entre em contado: Wlamir Sobrinho – wlamir.sobrinho@Convista.com.br